junho 11, 2009

ATENÇÃO

O ESCRITA IBÉRICA MUDOU DE CASA. PODEM CONTINUAR A VISITAR AQUI:

http://palavraiberica.blogspot.com/

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junho 04, 2009

prémio internacional de poesia palavra ibérica - 2010

O regulamento espanhol pode ser consultado AQUI

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maio 29, 2009

medo

sentir a luz prender o corpo que desiste de lutar contra a noite.
vejo um corpo nu sentado numa cadeira.
uma cama na vertical como se fosse uma janela.
lençóis de vidro destapam o teu corpo neutro e inimitável.
vamos sentir as palavras no absoluto ilegível da escrita.
respirar o grito da linguagem.
a vida está perto e há demasiado medo.

poema de sílvia prata

Publicado por fernando esteves pinto em 03:55 PM | Comentários (1) | TrackBack (5)

ódio

Se amas as palavras
tu não podes fugir do meu corpo.
é esse o teu mal
a possibilidade de sofrer por mim.
tudo está escrito: o princípio e o fim.
O meu pensamento desfigurou-se no teu ódio.

poema de sílvia prata

Publicado por fernando esteves pinto em 03:44 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

ferida

cansei-me de te perder contra as palavras.
o desejo desta casa devora os teus passos quando escreves.
uma linguagem de luz onde o teu corpo incessante e denso.

se disseres silêncio a vida devolve-nos a dor de sentir uma pedra no rosto.
a marca da solidão na tua ferida.

poema de sílvia prata

Publicado por fernando esteves pinto em 03:40 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

muita destruição nesta frase

hoje tudo me parece inexistente.
sinto todas as coisas como se fossem bolas vazias e voláteis
a rebentarem no nada de ser pensado.
não acredito nos meus dias sacrificados nesta ausência.
deixo-me atingir por esta luz que viola
todas as perspectivas que se tem da vida.
a felicidade é um fragmento institivo
capaz de pôr em perigo o equilíbrio emocional.
a felicidade que rasga a dor por instantes
como se fosse um analgésico contra a inexistência.
tenho sentimentos que não se deixam escrever.
são vozes perdidas a desfazerem-se na aragem
quente da tua respiração.
eu tinha pensado que o amor é uma máquina
de projecção de imagens invisuais.
existe muita destruição nesta frase.
posso repetir: o amor é um projector
de infinitos focos de infecção.
é o terrorismo de amarmos o negativo de nós próprios.
não sei.
talvez no avesso sentimental
encontres conforto para o teu sofrimento.

poema de sílvia prata

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maio 28, 2009

POEMAS MAL EMPREGADOS

Autor: Fernando Esteves Pinto
Leituras: Cidália de Brito
Apresentação: José Bivar

Dia 5 de Junho às 21h
Local: Bar Cyti_0 – Largo Pé da Cruz – Faro

Organização: AAPA / Sulscrito

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maio 21, 2009

reportagem palavra ibérica (8)

Filme de Adão Contreiras.

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maio 18, 2009

reportagem palavra ibérica (6/7)

Mais dois filmes de Adão Contreiras sobre o Palavra Ibérica.

Publicado por fernando esteves pinto em 03:55 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

maio 17, 2009

escrito en el rio

Crítica literária ao livro "Sexo Entre Mentiras", por Manuel Garrido Palacios

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maio 15, 2009

literatura ibérica

Apresentação da colecção Palavra Ibérica (autores de Portugal e de Espanha)

Lisboa: dia 15 Maio na Livraria Pó dos Livros, às 18:30

Porto: dia 16 Maio na Fnac NorteShopping às 18:00

Crematório Sentimental, ­ Golgona Anghel
Os Animais da Cabeça, ­ Rui Dias Simão
Uma Ânfora no Horizonte, ­ Maria do Sameiro Barroso
O Pequeno-almoço de Carla Bruni, ­ Rui Costa
Agência do Medo, ­ Santiago Aguaded Landero
Privado, ­Fernando Esteves Pinto

Publicado por fernando esteves pinto em 11:59 AM | Comentários (0) | TrackBack (0)

reportagem palavra ibérica (5)

Palavra Ibérica: poetas e cavalos. imagens de Adão contreiras.

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maio 11, 2009

reportagem palavra ibérica (4)

Imagens de Adão Contreiras.

Publicado por fernando esteves pinto em 02:47 PM | Comentários (1) | TrackBack (0)

maio 08, 2009

reportagem palavra ibérica (3)

Poesia no mítico Bar 1900, Huelva. Imagens de Adão Contreiras.

Publicado por fernando esteves pinto em 08:52 AM | Comentários (1) | TrackBack (0)

maio 07, 2009

reportagem palavra ibérica (2)

Museu de Huelva e Bar 1900. Imagens de Adão Contreiras e Fep.

Publicado por fernando esteves pinto em 10:28 AM | Comentários (0) | TrackBack (0)

maio 05, 2009

reportagem palavra ibérica (1)

Palavra Ibérica/Edita 2009 visto pelo Adão Contreiras.

Publicado por fernando esteves pinto em 10:16 PM | Comentários (1) | TrackBack (0)

imagens

Palavra Ibérica/Edita 2009. Reportagem fotográfica de Inês Ramos.

Publicado por fernando esteves pinto em 12:51 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

abril 16, 2009

teatro

Apanhado na rede: Palavra Ibérica - últimas imagens de Adão Contreiras.

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abril 15, 2009

palavra ibérica/edita - programa

PALABRA IBÉRICA

Huelva - Punta Umbría
del 29 de abril al 2 de mayo de 2009

HUELVA

MIÉRCOLES 29 DE ABRIL


19.00h. Museo de Huelva (Alameda Sundheim nº 13 Huelva)
Acto Inaugural

19.30h. Museo de Huelva (Alameda Sundheim nº 13 Huelva)
“Palabras frente a una crisis: utopía y realidad”1
FILOMENA MARONA BEJA (Sintra, Portugal)
ALFONS CERVERA (Valencia)

23.00h. Bar 1900. (C/Garci Fernández nº 10 Huelva)
ACCIONES, RECITALES Y MICROCONCIERTOS
“La Noche de la Palabra Ibérica” 1
Santiago Aguaded Landero (Lepe)
María do Sameiro Barroso (Braga, Portugal)
Manuel Moya (Fuenteheridos)
Golgona Anghel (Lisboa, Portugal)
Rui Costa (Porto, Portugal)
Manuel Arana (Huelva)
Fernando Esteves Pinto (Olhão, Portugal)
Mario Marin y Marcos Gualda (Huelva)

JUEVES 30 DE ABRIL

10.00h. Museo de Huelva (Alameda Sundheim nº 13 Huelva)
“Veinte años de escritura compartida”
Eugenio Arnao (Zaragoza)

11.30h. Museo de Huelva (Alameda Sundheim nº 13 Huelva)
“Palabras frente a una crisis: utopía y realidad”2
VALTER HUGO MAE (Porto, Portugal)
HIPÓLITO G. NAVARRO (Huelva)

13.00h. Museo de Huelva (Alameda Sundheim nº 13 Huelva)
Presentación de los Premios Palabra Ibérica 2009
“Uma ânfora no horizonte” de Maria do Sameiro Barroso
“Agencia del miedo” de Santiago Aguaded Landero


PUNTA UMBRÍA

JUEVES 30 DE ABRIL

18.00h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 1ª : Palabra Ibérica 1
Jorge Melícias de Editorial Cosmorama (Porto, Portugal)
Fernando Esteves Pinto de Editorial 4 Aguas (Olhão, Portugal)
Tiago Gomes de Revista Biblia (Lisboa, Portugal)
Luis Filipe Cristóvão de Livrododia (Torres Vedras, Portugal)
Pepe Varós de Editorial Islavaria (Huelva)

19.15h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 2ª : Palabra Ibérica 2
“Abrazos de Naufrago” Pedro J. Martín Pedrós, Lupe García Araya , Adolfo Morales y Pepa Giraldez de Poesía en la Distancia (Huelva)
“Banalidades” Pere Sousa de Merz Mail (Barcelona)
“Posibilidades de la Performance en España y Portugal” José Luis Campal de Carpetas el Paraíso (Oviedo, Asturias)

20.30h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
Presentación del XVI Encuentro Internacional de Editores Independientes EDITA '09

“Almanak Turbo” Rodolfo Franco de Comando Macondo (Sao Paolo, Brasil)

23.30h. Bar Reflejos (Avda. de Andalucía nº 8 Punta Umbría)
ACCIONES, RECITALES Y MICROCONCIERTOS
La Noche de la Palabra Ibérica 2
1ª PARTE
Luis Pons, Paco Huelva y Francis Vaz (Huelva)
José Carlos Barros (Villa Real de Santo Antonio, Portugal)
Pere Sousa (Barcelona) “Dadaphone v.09.05”
Tiago Nené (Faro, Portugal)
Catalina Rivera (Mérida) “Pégame un beso”
Pedro Gil-Pedro (Sesimbra, Portugal)
Luis Filipe Cristóvão (Torres Vedras, Portugal)
Sara Herculano (Badajoz) “Fonografías”
Jorge Melicias (Porto, Portugal)
Gonzalo Escarpa (Madrid)
Ben Clark (Madrid)
Amadeu Baptista (Viseu, Portugal)
2ª PARTE
Aida Monteón, Gustavo García, Esther Hernández, José Bru y Dante Medina
(Guadalajara, México)
Inmaculada Luna (Madrid)
José Blanco (Barakaldo, Bizkaia) “Pedazo Poemas”
Mada Alderete (Madrid)
Ana Pérez Cañamares (Madrid)
Eladio Orta (Ayamonte, Huelva)
Carmen Camacho (Jaén)
Tiago Gomes (Lisboa, Portugal)
VIERNES 1 DE MAYO

10.00h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 3ª
Centro Cultural El REFUGIO, Ediciones EL QUIBUS y Librería EL AGUAJE (Guadalajara México)
“Presentación proyectos de promoción y difusión de publicaciones independientes”
Gabriela Juárez, Gustavo García y Jorge Ramírez
EDICIONES PURA VIDA (Granada)
“Presentación Ediciones Pura Vida” Paula Orellana
REVISTA LAUREL (Escacena del Campo, Huelva)
“Laurel nº 9: Escamondar” M. Lucas González del Toro
EEPUR (Málaga)
“EEPUR si muove” Antonio Muñoz Quinta
LITERATURAS.COM (Madrid)
“Las redes sociales especializadas, mi experiencia cuando cree Mi Literaturas!” Nacho Fernández

11.30h. DESCANSO

12.00h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 4ª
AIRE (Barcelona)
“La invención de la rueda por Marcel Duchamp” Joan Casellas
TIERRADENADIE EDICIONES (Madrid)
“E+D (i • r) Edición más Distribución independientes y en red” Matías Escalera
AGITADORAS (Palma de Mallorca)
“Presentación de Agitadoras.com revista estática vs. Herramientas de blog” Inés Matute y Joaquín Llorens

MESA 5ª
EL COSTURERO DE ARACNE (Granada)
“El 4” Angel Sanz
A FORTIORI (Bilbao, Bizkaia)
“Rompiendo paradigmas o el arte de buscarse la vida” Nati de la Puerta
FATA MORGANA (Medellín, Colombia)
“Fata Morgana” Manuela de los Angeles

17.00h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 6ª
REVISTA LA WEVERA (Mérida)
“Presentación de la revista objeto La Wevera” Catalina Rivera
LALATA (Albacete)
“LALATA especial Fundación Antonio Pérez de Cuenca y LALATA 13” Carmen Palacios y Manuela Martínez
MUSEO DE ARTE EXTEMPORÁNEO (Elche, Alicante)
“M.A.E. Rides Again” Manuel Maciá

MESA 7ª
ARTERIAL (Aracena, Huelva)
“Arterial: la revista que late por amor al arte “ Fernando Bono y Rey Fernández
LITERALA EDICIONES (Guadalajara, México)
“La edición independiente en la provincia mexicana” Patricia Medina
CENTRO DE POESÍA VISUAL (Peñarroya-Pueblonuevo, Córdoba)
“Publicaciones del C.P.V.” Francisco Aliseda

19.00h. DESCANSO

19.30h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 8ª
LA MÁS BELLA (Madrid)
“De Tapeo” Pepe Murciego y Diego Ortiz
EN3PALABRAS (Barcelona)
“en3palabras” Joana Braba
NORTESTACIÓN (Tijuana, México)
“Nortestación Programa de apoyo desde el ámbito civil a la difusión de autores y editoriales independientes” Karla L. Martínez Alvarado y Julio Alvarez

20.30h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
Acto de entrega de los Premios EDITA '09

ALBERTO PÉREZ y su Orquesta Volátil

23.30h. Bar Reflejos (Avda. de Andalucía nº 8 Punta Umbría)
ACCIONES, RECITALES Y MICROCONCIERTOS
La Noche de El Cangrejo Pistolero
1ª PARTE
José María Cumbreño y Antonio Reseco (Huelva)
Mª Jesús Fuentes (Ceuta) “Poemas para leer de pie”
Francisco Cumpián y Bárbara Zagora Cumpián (Málaga) “Mirando hacia otro lado”
Joan Casellas (Barcelona) “Marcel Duchamp en Punta Umbría”
Mireia Calafell (Barcelona) “Poéticas incorporadas”
Koke Vega (Don Alvaro, Badajoz) “Lo que tengo que pasar”
Ferrán Fernández (Málaga) “Desguace”
Jon Andoni Goikoetxea (Barakaldo, Bizkaia) “Tres en uno: el camión de la poesía”
Jesús Zomeño (Elche, Alicante) “Lengua Azul”
Lucas Rodríguez (Vallekas) “Por encima de mi cadáver”
Silvia Oviedo y Daniel Orviz (Madrid)
Bruno Vilao y Manuel Almeida (Cascais, Portugal) “Rupturas”

2ª PARTE
Desde El Cangrejo Pistolero de Sevilla:
Cangrejo Pistolero (Antonio G. Villarán), Dalton Trompet (Nuria Mezquita), Yellow Ping (Jesús Vega), Vicio (Fernando Bazán), Charco (Rafa Máiz), Javier Gato, Siracusa Indigesta, Nacho Montoto y Roberto Guillen (Monterrey, México), Microconciertos de Chucho y Etcétera (Monterrey, México) y “El Sepulcro Bohemio”(Guadalajara, México)


SÁBADO 2 DE MAYO

10.00h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 9ª
EDITORIAL PILPINTA (Lima, Perú)
“La edición de libros como labor social” Luciano Alberto Murrugarra
MANDRÁGORA (Cascais, Portugal)
“Editar Bicicleta” Bruno Vilao y Manuel Almeida
PALMITOS AL NATURAL (Elche, Alicante)
“Microfunkismo” Juan Vicente Ruiz
EDITORIAL SLOPER (Esporles, Mallorca)
“Casi 15 años de La Bolda de Pipas” Román Piña
LAS AFINIDADES ELECTIVAS (Castelfollit del Boix, Barcelona)
“Las afinidades electivas: una red de interconexión virtual entre poetas españoles contemporáneos” Agustín Calvo Galán

11.30h. DESCANSO

12.00h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 10ª
EDITORIAL YA LO DIJO CASIMIRO PARKER (Madrid)
“Presentación de la Editorial Ya lo dijo Casimiro Parker” Marcus Versus
DIÓGENES INTERNACIONAL (Madrid)
“Presentación del libro-objeto Trastorno bipolar” Isabel Huete
VANGUARDIA (Saltillo, México)
“El periodismo cultural como herramienta de difusión de las editoriales independientes”.Sylvia Georgina Estrada

MESA 11ª
PROYECTO LUNAR Juan Antonio Jara
EL GAVIERO EDICIONES (Almería)
“Libro y Papiroflexia” Juan Pardo Vidal
EL CASCO (Badajoz)
“El Casco: revista objeto para el centro de una ciudad.” Cisco Bellavista
AL OTRO LADO DEL ESPEJO (Madrid)
“Manifiesto por el cuento” Gsús Bonilla y Esteban Gutierrez

17.00h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)

MESA 12ª
EXPERIMENTA (Madrid)
“10 años 10” Yolanda Pérez Herraras
OFICINA DE IDEAS LIBRES (Madrid)
“...EEP (6)” Hilario Alvarez
EDITORIAL ATEMPORÍA (Saltillo, México)
“Presentación Editorial Atemporía” Alejandra Peart

MESA 13ª
LABOLSA (Don Alvaro, Badajoz)
“Ventajas de Labolsa de plástico” Koke Vega
LA RUEDA (Guadalajara, México)
“Frontera sin frontera” Sergio Cuateco
VOX (Bahía Blanca, Argentina)
“Ediciones especiales en la era de las ediciones digitales” Gustavo López

19.15h. DESCANSO

19.30h. (Teatro del Mar de Punta Umbría)
MESA 14ª
METAMORFOSIS (Barakaldo, Bizkaia)
”Diez años de Metamorfosis” José Blanco
LA UNICA PUERTA A LA IZQUIERDA (Sestao, Bizkaia)
“Bienal de Poesía Experimental de Euskadi ex!poesía08” Juan Jesús Sanz
LA MUSA FEA (Guadalajara, México)
“Presentación de La Musa Fea” Dante Medina
LF EDICIONES (Béjar, Salamanca)
“Antología de poesía mexicana 21 Balas” Luis Felipe Comendador y Antonio Orihuela

23.30h. Bar Reflejos (Avda. de Andalucía nº 8 Punta Umbría)
ACCIONES, RECITALES Y MICROCONCIERTOS
La Noche de El Dorado
1ª PARTE
Isabel Bono (Málaga)
Juan Pardo Vidal (Málaga) “Poesía para insensibles”
Carlos Salem, Oscar Aguado e Isabel García Mellado (Madrid)
Joana Brabo (Barcelona) Peformance
Pilar González España (Ocaña) “Retractiles”
Noni Benegas (Argentina), Andrés González y Esther Ramón (Madrid)
Javier Seco (Granada) “Soneto Polifónico Visual”
Antonio Gómez (Mérida) “Sumo y sigo”
Pepe Murciego y Diego Ortiz (Madrid) Performance

2ª PARTE
Desde El Dorado de Valencia:
Presentación nº 2 revista Bostezo, Héctor Aranau
Laura Giorani (Argentina)
Performances de Alicia y Vanesa Martínez y Eddie J. Bermúdez
Víctor Gómez, Jesús GE, Enrique Falcón, Arturo Borra, Félix Menkar, Román Porras, Berna Díaz, Eduardo Almiñana , Salvador Reyes y Pedro Montealegre.
Microconcierto de Lluis Vicent


EXPOSICIONES

Sala de Exposiciones Teatro del Mar (Del 30 de abril al 2 de mayo)

“La Poema: el alma del libro” de Eddie J. Bermúdez (Valencia)

“Primer concurso de microrelatos 10+2 basados en los fotopoemas de Jenni Arnau” (Valencia)

“Instrucciones para hacer un corazón” de Fransini (Valencia)

“Bajo mínimos” de Laura Sanz (Madrid)

EDITORIALES ASISTENTES

ANDALUCÍA
ARBOL DE POE Málaga
ARTERIAL Huelva
AULLIDO LIBROS Huelva
CACÚA EDITORIAL Huelva
CENTRO DE POESÍA VISUAL Córdoba
CRECIDA Huelva
EL CANGREJO PISTOLERO Sevilla
EL COSTURERO DE ARACNE Granada
EL GAVIERO EDICIONES Almería
EN SENTIDO FIGURADO Sevilla
EST LIBRIS EDITORIAL Huelva
EPPUR Málaga
FACTORÍA DEL BARCO Sevilla
GRUPO ILLY Granada
GUADALTURA EDICIONES Sevilla
ISLAVARIA EDITORIAL Huelva
LA ESPIGA DORADA Huelva
LOS LIBROS DE LA FRONTERA Málaga
LUZ Y CIA Granada
PALABRA IBÉRICA Huelva
POESIA EN LA DISTANCIA Huelva
PURA VIDA EDICIONES Granada
REVISTA CHICIMECA Huelva
REVISTA HUEWRA Huelva
REVISTA LAUREL Huelva
REVISTA VOLANDAS Huelva
SIM / LIBROS Sevilla
TALLER DEL HECHICERO Sevilla
VOCES DEL EXTREMO Huelva

ARAGÓN
ESCUELA DE ESCRITURA Zaragoza
MANUFACTURA NADA Zaragoza

ASTURIAS
CARPETAS EL PARAISO Oviedo
PAQUEBOTE.COM Oviedo

BALEARES
AGITADORAS Palma de Mallorca
SLOPER EDITORIAL Palma de Mallorca

CANARIAS
BAILE DEL SOL Tenerife

CASTILLA LA MANCHA
LALATA Albacete
PUNTO MÁS EDICIONES Guadalajara

CASTILLA LEÓN
LF EDICIONES Salamanca
DELIRIO EDITORIAL Salamanca

CATALUÑA
AIRE Barcelona
CUADERNO DE POESÍA Barcelona
EN3PALABRAS Barcelona
LAS AFINIDADES ELECTIVAS Barcelona
MERZ MAIL Barcelona

CEUTA
MESTER DE VANDALÍA

PAÍS VASCO
A FORTIORI EDITORIAL Bizkaia
GAMUZA AZUL EDICiONES Bizkaia
LA GALLETA DEL NORTE Bizkaia
L.U.P.I . Bizkaia
METAMORFOSIS Bizkaia
2,5 Bizkaia

EXTREMADURA
EDITORIAL LITTERA LIBROS Cáceres
EL CASCO Badajoz
LA BOLSA Badajoz
LA WEVERA Mérida
PINTALO DE VERDE Mérida

MADRID
AL OTRO LADO DEL ESPEJO
AVIZOR RECORDS
DE-AUTOR
DELSATELITE EDICIONES
DIOGENES INTERNACIONAL
EDITORIAL EGUZKI
ELKOALAPUESTO
ES HORA DE EMBRIAGARSE CON POESÍA
EXPERIMENTA
LA MÁS BELLA
LAPINGA EDICIONES
LEGADOS EDICIONES
LITERATURAS.COM
MUNDOS POSIBLES EDICIONES
OFICINA DE IDEAS LIBRES
PUERTOS DEL BARCO EBRIO
TALLER EL ARCE
TIERRADENADIE EDICIONES
ST LIBRO OBJETO
YA LO DIJO CASIMIRO PARKER EDITORIAL

MURCIA
EL COLOQUIO DE LOS PERROS

VALENCIA
DIARIOS DE HELENA Alicante
EDITORIAL COCÓ Valencia
EL DORADO-ESPACIO MAE Valencia
MUSEO DE ARTE EXTEMPORÁNEO Alicante
PALMITOS AL NATURAL Alicante
REVISTA BOSTEZO Valencia

ALEMANIA
ÓXID, Berlin

ARGENTINA
VOX, Bahía Blanca

BRASIL
COMANDO MACONDO, Sao Paulo

COLOMBIA
FATA MORGANA, Medellín

MÉXICO
ACERCAMIENTOS Guadalajara, Jalisco
ATEMPORIA Saltillo, Cohahuila
EL QUIBUS EDICIONES Tlaquepaque, Jalisco
EL REFUGIO Tlaquepaque, Jalisco
EL SEÑOR DE LOS LIBROS Monterrey, Nuevo León
LA MUSA FEA Guadalajara, Jalisco
LIBRERÍA EL AGUAJE Guadalajara, Jalisco
LITERALA EDITORES Guadalajara, Jalisco
NORTE ESTACIÓN Tijuana, Baja California
REVISTA LA MALA VIDA Cuernavaca, Morelos
REVISTA LA RUEDA Guadalajara, Jalisco
REVISTA REPLICANTE Guadalajara, Jalisco
REVISTA VA DE NUEZ Guadalajara, Jalisco
SEPULCRO BOHEMIO Guadalajara, Jalisco
VANGUARDIA Saltillo, Cohahuila

PERÚ
EDITORIAL PILINTA Lima

PORTUGAL
EDITORIAL COSMORAMA Coimbra
INCOMUNIDADE Cascais
LIVRODODIA EDITORIAL Torres Vedras
MANDRAGORA Cascais
REVISTA BIBLIA Lisboa
REVISTA SULSCRITO, Faro
4AGUAS EDITORA Olhao

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abril 03, 2009

palavra ibérica (4)

Apresentação de Crematório sentimental de Golgona Anghel, por Uberto Stabile. Filme de Adão Contreiras.

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abril 02, 2009

a mentira

A mentira é um instrumento de aperfeiçoamento no que diz respeito às relações humanas. Mente-se como motivo de ajustamento de carácter: transformar em qualidade aquilo que não passa de uma farsa, de uma burla, de um engano. É uma defesa. Um esconderijo. Mentir numa relação íntima é como se dividíssemos uma verdade: uma parte convém-nos; a outra parte convirá a quem tentamos iludir. São mentiras que nos salvam e cinicamente acreditamos que protegem aqueles com quem nos relacionamos. Mas não é fácil nem infalível manter esse compromisso com a mentira. A mentira tem propriedades que fere também aquele que mente. Agora no espaço público mentir é criar patamares de oportunidade – que significa essencialmente projectar nos outros uma virtude e um código que não possuímos publicamente, mas apenas na nossa natureza predadora, e dissimuladas no nosso carácter disfuncional.

Tudo é susceptível de alojar a mentira. No entanto, as relações que implicam cumplicidade afectiva, amorosa, são mais vulneráveis à mentira. Creio que isso tem a ver com o facto de não sabermos expressar-nos devidamente no que toca aos sentimentos e emoções. Às vezes mente-se por uma questão de impossibilidade em face da compreensão. É uma atitude involuntária em certos casos. Uma inocência contaminada em que as nossas acções encontram alguma segurança. Por exemplo: no acto sexual a mentira funciona como um estímulo do próprio sexo. Quero dizer com isto que durante uma relação sexual raramente se finge/mente que não se tem prazer e ou não se dá prazer. Neste caso estamos perante uma mentira afrodisíaca. Nem sempre o prazer merece a verdade.

A mentira faz um bom negócio com a verdade. E não defendo a mentira nas relações entre amigos, amantes ou casais. O que pode acontecer é colocarmo-nos negativamente na margem da verdade, tão próximos da mentira, que basta um pequeno desequilíbrio para nos convencermos que não estamos a ser sinceros. Tenta-se libertar da mentira quando a culpa se torna depressiva. Quanto às vantagens, e generalizando, a mentira só faz sentido e cumpre os seus propósitos quando os outros não se apercebem o que existe por trás da trama. Mas não estará a mentira tão enraizada na civilidade, que por esse motivo a verdade reclama para si todas as virtudes da natureza humana? Logo, a mentira é uma fraqueza da verdade que se demitiu das suas próprias regras.

Conclusão:

Compreendam: como é que as relações humanas, íntimas e sociais podem estar isentas da mentira se as nossas experiências com os outros trazem sempre novidade, afastamento e obsessão? Não será isso suficiente para que sejamos tentados a mudar as nossas atitudes e modos de vida mesmo recorrendo a pequenos artifícios aparentemente inofensivos e depois a esquemas onde compreendemos que a solução mais prática é a mentira? Mentir faz parte do nosso código de sobrevivência. É o antídoto para a nossa má formação social, mas com efeitos secundários que dita a nossa condenação perante a sociedade e a família. Imaginemos uma jovem e bela mulher, casada, que na boutique onde trabalha se sente fascinada por um cliente, também ele um homem casado, jovem e atraente. Este princípio de enamoramento, mútuo, não significará uma ameaça aos respectivos companheiros? Ela toma a liberdade, como boa vendedora, de sugerir-lhe determinadas peças de vestuário, cores e padrões. Ele concorda, sente-se agradado pela eficiência e pela atenção. No íntimo, não estará ela a exercer o seu poder de mulher, imaginando que está a cuidar do homem dos seus sonhos? E ele, não se sentirá maravilhosamente encantado por uma sensação que nunca havia experimentado? A partir daqui as mentiras são as linhas por onde a história dos dois se escreve. E para que a história entre eles prossiga tem de haver engano, simulação, desespero e sofrimento. Todas as belas histórias de amor nascem das ruínas e da mágoa de quem foi enganado.

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abril 01, 2009

palavra ibérica (3)

Apanhado na rede: o encontro palavra Ibérica sentido por Uberto Stabile.

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palavra ibérica (2)

Apresentação do livro "O pequeno Almoço de Carla Bruni" de Rui Costa. Filme de Adão Contreiras.

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março 30, 2009

palavra ibérica (1)

Apanhado na rede: o filme (1ª parte)

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o pequeno almoço de carla bruni

O Rui Costa corre o risco de se tornar um caso estranho na poesia portuguesa. Quando apareceu em 2005 com um livro intitulado “ A Nuvem Prateada das Pessoas Graves”, prémio de poesia Daniel Faria, a pergunta que ficou no ar adivinhava-se entre os seus pares: quem é este Rui Costa? Perante tanta curiosidade, eu intuí que o Rui só podia responder-nos: não sabem de onde venho, mas hão-de saber para onde vou. E já agora: para onde vos levarei.
E assim chegamos ao segundo livro de poemas do Rui: “O Pequeno Almoço de Carla Bruni”. Carla Bruni que destronou a Shakira, muito por culpa dos media e da actualidade da informção. Isto só vem provar que o Rui é um cronista atento da sociedade poética em que nos envolvemos. É fácil verificar que a poesia do Rui é surreal e que trabalha a disformidade do ser e das coisas. Se eu designasse um sintoma que a sua poesia sugere, arriscaria informar que, após cada leitura dum poema, estamos perante uma situação “sintológica”. Bem, eu não tenho a certeza de que a palavra exista, mas quererá dizer isto: há na poesia do Rui uma outra forma de sentir para além da normalidade, isto é, o sujeito poético que o autor evoca parece-nos envolvido numa racionalidade absurda e constantemente submetido a um tipo de regras que ainda não foram experimentadas na realidade. Um exemplo:

“(…) Na verdade, as mãos deste homem não seriam
mãos como as de outros animais - dos corvos, por exemplo -
capazes de ouvir, do fundo intuído da sua genética
consciência, mesmo aqueles pequenos actos que ainda não
aconteceram.”

Depois descemos mais umas linhas na poética do autor, e noutro poema podemos ler:

“Na vida,
a caminho do futuro que ele nunca saberá onde fica,
o limão continuará a ser inteiro
e o seu sumo continuará a ser sumo,
pela mesma sábia razão por que a história dos homens
é sempre muito maior do que eles.”

Portanto, esta é uma poesia onde tudo acontece estranhamente pela primeira vez na história real dos homens em relação a tudo o que os rodeia. Outro aspecto interessante na escrita do Rui é que as coisas têm maior protagonismo que o próprio ser humano, levando-nos a crer que são essas mesmas coisas o agente provocador do pensamento e da consciência humanas. Quando lerem com atenção este livro hão-de reparar que a emoção não faz caminho nestes poemas, e nem precisa, uma vez que a emoção, ou, se quisermos, o sentimentalismo não é estrutura adequada ao tipo de mensagem/imagem que o autor pretende transmitir. Outro exemplo:

“Escrevo, decerto, por qualquer
razão inútil que não vais nunca entender.
Surgem as frases, vês, desconhecidos
que no bar do acaso encontro e são
as tuas mãos a escrever por mim.”

Chama-se a isto uma pedra de gelo a rodopiar no vaso da cabeça dos outros. Eu sei que o Rui a escrever é de uma frieza que inebria a compreensão do leitor. O que significa que cada frase é um trago de calor que nos fica na memória a arder durante muito tempo. E o poema acaba assim:

“Às vezes, sabes, é mais
difícil descobrir que o amor, como o cigarro,
quando se acende é que começa
a iluminar o fim.”

O romantismo é outro aspecto curioso na poesia do Rui. É um romantismo que não se assume como atitude romântica. Será pudor em revelar tão delicadas rendas que nos vestem o coração? Não creio. Em questões de amor metafórico e sentimentos similares, eis que o autor se transfigura num criativo afectuoso, e arregaça a sua camisinha de serviço enquanto escreve:

“amo-te
por não ser outro:
é, assim, uma impossibilidade
que nos aproxima.”

Como podem perceber, há nestes versos uma possibilidade de fuga que o autor transforma numa aproximação a outro ser na expectativa de ser desejado. Complicado? Ora, só quem nunca amou ou foi amado. E este:

“exagero o que
não sou para que
gostes mais de mim:
aumentar a probabilidade
de te receber.”

É a coberto destas máscaras que o Rui vai falando sobre o amor. É esta a relação mais honesta que existe entre duas pessoas: exagerar o que não somos para tornar mais credível aquele que realmente acreditamos ser, em toda a verdade, perante os outros. Como sabem, o amor também se alimenta destas diversões. E se a verdade por vezes condena, a mentira é capaz de ressuscitar uma relação.

“O Pequeno Almoço de Carla Bruni” é um livro provocador. Não por imaginarmos que o pequeno Sarkozy seja o aperitivo da Carla logo pela manhã. Este livro é provocador porque disforma toda uma série de imagens que conhecemos como realidade. O autor diz o contrário do que se espera. Promove o jogo entre a surpresa e a contrariedade, com base num conjunto de regras que o autor criou para despistar os nossos próprios actos quotidianos, e quem não perceber isto, ou não pertence a este mundo ou não entende nada de poesia. E para finalizar, o rui deixa-nos um aviso:

“digo o contrário
do que quero
para que no espelho
a imagem não surja
invertida.”

Mas se a imagem surgir invertida, continua ainda a ser poesia.

Texto de apresentação por Fernando Esteves Pinto

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março 26, 2009

palavra ibérica 2009

A 1ª fase do Encontro de Escritores Hispano-luso Palavra Ibérica 2009 arrancará no dia 27 de Março em Punta Umbría, às 18h (hora espanhola) com as apresentações dos 3 últimos livros publicados na colecção de poesia Palavra Ibérica. O evento segue no dia 28 para Vila Real de Sto. António, para as respectivas apresentações no Centro Cultural António Aleixo, às 17h, prolongando-se pela noite.
Autores presentes:
Golgona Anghel
Rui costa
Santiago Aguaded landero (Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009)
Tiago Nené (tradutor)
Adão Contreiras (reportagem vídeo)

Coordenadores:
Fernando Esteves Pinto
Uberto Stabile

imagens dos livros Aqui

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apresentação "privado"

Apanhado na rede: Privado no Pátio - o filme

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março 22, 2009

privado lido por miguel godinho

Apresentação de “Privado”, de Fernando Esteves Pinto
Faro, Pátio de Letras, 20 de Março, 2009
Miguel Godinho

Devo dizer que a sensação que me fica sempre após a leitura de um texto ou de um livro do Fernando é que a escrita lhe serve antes de mais de terapia (ou de psicoterapia), na medida em que trata sempre questões / problemas extremamente humanos, problemas reais, relacionados com as perturbações ou as dificuldades com que todos nos deparamos pelo simples facto de estarmos vivos e nos inter-relacionarmos uns com os outros.
O Fernando escreveu num outro livro seu o que para mim esclarece de alguma forma a razão da sua escrita (ainda que nas palavras de uma personagem de ficção por si inventada). Passo a citar esse trecho (do livro “Sexo entre mentiras”):
“(…) isto sou eu a pensar (…). Apetece-me desmontar pessoas. (…) Tu sabes que eu só escrevo como se fizesse uma limpeza emocional (…). Tenho este hábito de recuperar o humano para me alimentar dos seus fracassos. Estou onde está o sofrimento, tu sabes, mas as palavras são ainda a minha defesa. Sempre quis saber muito sobre os outros, muito para além do humano, e agora julgo não saber nada sobre mim, nada numa terrível consciência de viver por eles as suas tristezas. Quem me lê não imagina o sofrimento que foi preciso condensar num tempo escrito para que tudo voltasse a ter uma vida que escapasse à ficção de existir no meu pensamento. Peço silêncio para as minhas palavras.” Duas ideias-chave a destacar do que se disse: A vontade de desmontar pessoas (de percebê-las) e a escrita como limpeza emocional.
O Fernando não perde tempo com temas fáceis, com questões de algibeira, com matérias dóceis. O pensamento, a reflexão, a repercussão do olhar, os desequilíbrios interiores, as fragilidades, as debilidades das relações humanas, as fraquezas e as obsessões são assuntos transversais nos seus textos. Talvez por isso a sua escrita seja uma escrita psicológica, marcadamente circunspecta, onde as evidências da vida são reveladas por vezes de forma nocturnal mas com um realismo despido de preconceitos, e tratadas com um ligeiro toque de sarcasmo, fazendo-nos tantas vezes rir de nós próprios, da nossa pequenez. Este livro que aqui nos reúne é mais uma vez testemunho disso mesmo.
“Privado” é um ensaio ficcionado que retrata a vida de um casal desgastado, corrompido pelo passar do tempo, pelo tédio e pelas rotinas de vinte anos de vida em comum. A “familiaridade afectiva” (palavras de FEP) que se criou em torno destas duas pessoas, em substituição da paixão dos primeiros tempos, fez com que o sexo entre quem já se conhece demasiado bem se tivesse tornado um lugar desconfortável, visto terem deixado de existir a sedução e o desejo, dando lugar à monotonia, à insipidez, ao enfadamento. A sexualidade transformou-se num frete, fruto da sucessão dos dias que tornaram a vida fastidiosa, fruto da morte progressiva do erotismo.
Através do narrador que progressivamente nos vai introduzindo na história conjugal de Olga, uma mulher mal amada pelo marido, que se entrega a um sem número de fantasias como forma de inventar uma nova relação e de passar por cima do descontentamento, vamos percebendo o “compromisso de enganos em que se traduz este amor”, viciado e desgastado pelo tempo. O narrador aqui funciona quase como um psicólogo (e este é o traço mais marcado na escrita do Fernando) que, através de uma escrita densa, profunda, de confrontação, vai questionando constantemente as verdades da vida, desta vidinha que todos levamos, do que nos move, do que nos percorre, daquilo que não se diz, do que faz falta dizer, do que se pensa, da forma como se pensa. Assim, nota-se em toda esta obra uma profunda análise dos afectos, das questões colocadas pela consciência da personagem, da perversidade das suas fantasias como forma de contornar a artificialidade e da decadência sexual deste casal que tenta enganar os sentimentos reais a pretexto de um matrimónio estável, como se quer.
Assim sendo, as tentativas por parte de Olga no sentido de recuperar uma sexualidade honesta, sincera e acima de tudo real, parecem-nos por vezes ridículas, mas colocam-nos perante um drama em que tão facilmente nos revemos, da necessidade de afastar o tédio através da quebra da rotina. É nesse sentido que Olga inventa jogos de sedução frustrados entre o casal; que tenta até recorrer à violência simulada como forma de estimular o desejo, encenando uma sexualidade sem regras mas onde as regras já estão mais que pré-definidas, propondo o visionamento de filmes pornográficos mas onde o estímulo se esvoaça logo à partida em resultado da impossibilidade de sentir o mesmo fogo das personagens das películas. Imagina ainda provocações dissimuladas em desejos carnais onde joguinhos risíveis mais não logram do que evidenciar as verdades manifestas do cansaço dos dois.
Talvez por tudo isto o narrador não use nunca a expressão “fazer amor” entre este casal, preferindo termos como a “cópula” ou outros mais lascivos (como “foder”) no sentido de, por um lado, evidenciar o facto do sexo entre este casal se ter tornado numa obrigação conjugal, e de, por outro, apresentar ao leitor a dimensão real do afecto entre os dois, onde o empachamento da relação fez com que o amor se esfumasse, dando lugar a uma mera carência fisiológica. Nesse sentido e de uma forma brilhante, o narrador dá o exemplo de, num daqueles dias, ao marido de Olga lhe apetecer simplesmente (e passo a citar):

“ter sexo, mas uma coisa rápida e directa, sem preliminares. Um acto que não implicasse a procura do prazer através duma poética da sexualidade. Aproximar-se e desfrutar o corpo de Olga, como se não tivesse de analisar exaustivamente a própria poesia do instante. Olga também não estava para complexidades. A abordagem simplificada, instintiva e primária elevava-a a um ponto mais alto na escala do erotismo. Não haveria lirismo encenado nem fingimento a encobrir o aborrecimento e a preguiça.”

Tudo, portanto, na mais pura da sinceridade, entre os dois. Seria apenas (desculpem a expressão) “descarregar” e já está. Até porque, como diz o narrador-Fernando num momento mais à frente, num outro apontamento quase psicanalítico, “o sexo não programado é um bom motivo de experimentação neste tipo de atitude. Evita-se uma sobrecarga psicológica, sem culpa formada sobre quem deu ou recebeu mais prazer. A preparação intensiva num acto sexual pode levar a um enfraquecimento do desempenho. Mas também pode ser uma causa de prematuridade orgástica”. Como se o que na realidade fizesse falta fosse um pouco de imprevisibilidade, de romper com o estabelecido, de uma reinvenção. Observe-se esta constatação de uma profunda exactidão, escrita numa poética sublime, sobre a sexualidade possível entre este casal, no fundo de tantos e tantos casais que se imaginam outros como forma de reinventarem a sua sexualidade: “O amor que eles sentiam um pelo outro era mesmo uma fantasia. Eles não se amavam. Eles favoreciam as suas próprias necessidades sexuais numa troca de corpos para que cada um deles pudesse sonhar à sua maneira. O sonho de ambos era uma galeria de imagens provocantes que os fazia sentir na presença de estranhos”. Recuperando uma afirmação do Fernando presente num outro livro seu e a propósito do que se disse, (novamente do “Sexo entre mentiras”), “o amor é uma guloseima que se derrete no coração. Se soubéssemos tudo sobre a pessoa que amamos, se calhar nunca tínhamos querido amá-la incondicionalmente. O amor dura enquanto ainda houver matéria desconhecida no outro”. Já se percebeu que o tema da sexualidade está muitas vezes presente na escrita do Fernando, e muitas vezes sob a forma da sexualidade no limite da tolerância, a sexualidade corrompida ou por outro lado, a sexualidade necessária.
Em Privado encontra-se uma estrutura semelhante em todos os capítulos, baseada mais ou menos na seguinte fórmula: primeiro o narrador introduz um problema na relação conjugal do casal (que poderia ser um qualquer casal que se ature há muito tempo), para de seguida o abordar, problematizando-o do ponto de vista psicológico, sugerindo por fim uma maneira / uma forma do casal lidar com ele, expondo as contradições, a degradação das atitudes, a dissimulação, a impostura, a incapacidade em contornar a questão enquanto ao mesmo tempo prefere continuar a ignorá-la. Se pensarmos bem, este método é utilizado também pelos psicólogos.
Assim sendo, é fácil qualquer um rever-se nestas problemáticas apresentadas no livro, pela precisão com que o Fernando aqui a apresenta. Interessante é o facto do livro estar dividido em 31 capítulos, tantos quantos os dias de um mês, como se cada capítulo tratasse um problema (ou os problemas de um dia, se quisermos) com que um casal se depara. Mais interessante ainda é o facto de no primeiro, Olga começar por se lamentar porque acha que o marido tem outra mulher, para, no último, essa mesma Olga acabar por recuperar o desejo sexual, revitalizando a relação, acabando se quisermos, de certa forma, preenchida sexualmente (e afectivamente). Podemos imaginar que no capítulo seguinte, que acabaria por ser o primeiro dia de um novo mês, ela voltasse outra vez ao mesmo estado de espírito, incerta no amor, cheia de dúvidas, com falta de se sentir amada.
Por fim, de referir somente que é sublime a forma com que o Fernando nos apresenta esta vidinha em que nos corrompemos e nos enganamos a nós próprios, esta realidade tão universal, apresentada numa linguagem tão acessível e clara, por vezes com uma poética sedutora, por vezes áspera, por vezes irónica, numa atitude quase de sátira com o ridículo das atitudes comportamentais. São textos pequenos mas intensos, carregados de verdade e de precisão. Dizer apenas que a pornografia contida neste livro não decorre do facto do tema andar à volta da sexualidade, decorre sim, da realidade ser ela própria pornográfica, como se diz no próprio livro. Henrique M. B. Fialho recordou no excelente prefácio as palavras do filósofo francês Michel Onfry que escreveu a este propósito: “casar [talvez mais não seja] (…) do que arranjar forma de lidar com a vida na base da ilusão, da mentira e da hipocrisia.” E, como diz o mesmo Henrique, “agora o melhor mesmo, é não pensar muito neste assunto”.

Vila Real de Santo António

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março 16, 2009

apresentação "privado"

Privado. Pátio de Letras. Canto Escuro.
Apresentação de Miguel Godinho.
Informação AQUI

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março 01, 2009

o amor em cena 2

Apanhado na rede: continuação da apresentação da antologia Os dias do Amor.

Publicado por fernando esteves pinto em 08:18 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

fevereiro 28, 2009

o amor em cena

Apanhado na rede: os filmes da apresentação da antologia Os dias do Amor. Aqui e Aqui

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fevereiro 23, 2009

curta literária

Apanhado na rede: o filme do lançamento de Privado e Efeitos Secundários na livraria Trama.

Publicado por fernando esteves pinto em 09:22 AM | Comentários (0) | TrackBack (0)

fevereiro 16, 2009

filmes na trama

3 poetas. 3 filmes. Aqui. Aqui e Aqui.

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fevereiro 09, 2009

X correntes d`escritas

Correntes D`Escritas - X edição, de 10 a 14 de Fevereiro na Póvoa de Varzim. A editora 4 águas estará presente com os 4 títulos publicados em 2008. Revista Sulscrito e apresentação de "Privado", da Canto Escuro. informações Aqui

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fevereiro 05, 2009

privado lido pelos outros

Apanhado na rede: a propósito de Privado, excerto do prefácio de Henrique fialho.

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fevereiro 04, 2009

apresentação na Trama

Dia 7 de Fevereiro às 18h, apresentação do livro Privado na livraria Trama, Lisboa. Mais informação Aqui e Aqui.

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fevereiro 01, 2009

intimidades

Apanhado na rede: Sexo Entre Mentiras na revista Máxima. Versão online Aqui

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janeiro 27, 2009

CARTA ABERTA AOS MEMBROS DO P.E.N. CLUBE PORTUGUÊS

No contexto da minha entrevista à Lusa (aqui) e tendo em conta que até agora não nos foi facultado o acesso aos emails dos membros do PEN, agradeço aos membros do PEN que lerem este texto que entrem em contacto connosco (email abaixo).

São estes os nossos principais objectivos:

1. DEMOCRATIZAR O PEN

Consideramos que a actividade do PEN nos últimos anos se centrou demasiado nos elementos com funções directivas, em vez de estimular a participação de todos os seus membros e a interacção destes com a sociedade em geral.

Queremos maior rotatividade no que diz respeito à composição dos júris dos prémios literários patrocinados pelo PEN.

2. PROMOVER UMA LITERATURA VIVA

Gostaríamos de contribuir para que argumentos de autoridade valessem cada vez menos no estabelecimento do mérito literário.

Queremos que os membros do PEN tenham maior oportunidade de divulgar o seu trabalho, e solicitaremos a sua participação em eventos que possam despertar o público para obras de qualidade.

Agradeço a TODOS os leitores deste blog a divulgação deste texto.


Para sugestões, críticas e o mais que entenderem (sejam ou não membros do PEN), o meu email é: msgtorc@hotmail.com

Rui Costa

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janeiro 09, 2009

privado

Apanhado na rede: novo livro sobre sexualidades. Privado. informação aqui

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janeiro 06, 2009

poesia ibérica

Primeiro projecto Sulscrito, 2009. 3 poetas trama(dos) em Lisboa.

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dezembro 26, 2008

para acabar com o ano

Ortega y Gasset dizia que o homem é o homem e a sua circunstância. Como este conceito me irrita e me condena. Estou farto da minha circunstância. Não me identifico com a realidade que os outros criam à minha volta. Sou sempre eu e as circunstâncias dos outros – normalmente pessoas com um fraco sentido da vida e afastados dos objectivos que mais ambiciono. Gostaria de sentir que eu sou eu e a circunstância de Bill Gates, por exemplo. É uma forma de me pensar com o sucesso dos outros. Não é inveja nem ressentimento. Desenganem-se. As circunstâncias são projectos livres. Mas também são projectos direccionados e estruturados de acordo com o destino de cada um. É um problema de vocação, creio. Mas eu não tenho vocação para circunstâncias atraentes, desejáveis e, como não dizê-lo, ambiciosas. Confesso: o meu sonho é ter a circunstância de Brad Pitt e engatar a Angelina Jolie. É uma irrealidade, eu sei, as nossas circunstâncias nunca hão-de lutar pela mesma mulher e muito menos permitir partilharmos o corpo dela. Mas quero que me percebam: as circunstâncias obrigam-nos a criar funções de fantasia que perturbam a nossa própria realidade. É um transtorno psíquico quando nos confrontamos com as nossas circunstâncias, conscientes do lugar que ocupamos em relação aos outros, e avaliamos os valores que correspondem a cada estilo de vida. O meu estilo de vida, então, parece que foi adquirido numa banca de saldos. A minha circunstância define-se em dois ou três prazeres cuja avaliação nem sequer faz muito sentido, tirando os dias que passo no estúdio do meu amigo Harry. Esses são os dias de maior glória. Também não sou um ingrato. Tenho as minhas compensações, sou capaz de identificar aquilo que valho independentemente da minha quota de circunstância. Não direi que isso me valoriza como pessoa, mas dá-me a ideia de como posso qualificar as minhas meditações sobre o assunto. E não concordo com a minha circunstância. Não creio que o fracasso das minhas experiências esteja intimamente ligado ao modo como funciono na vida. O fracasso e o descontentamento surgem no homem como acções colectivas. É tudo culpa dos outros, mesmo que o erro seja aquela ferida que começamos a sentir primeiro em nós. Por isso afirmo que a circunstância é um pacto de responsabilidades. E uma injustiça, insisto. Foi uma injustiça circunstancial o facto de Simone e Luciano terem-se conhecido. As circunstâncias deles já estavam num processo de rotura antes da decisão de viverem juntos. Luciano entrou numa fase de asfixia com a proximidade de Simone. Não houve uma sintonia. A atracção deu-se pelo lado errado, negativo, e depois o resultado foi a tragédia. Ninguém pode prever os malefícios da circunstância da outra pessoa. Mas como é possível avaliar a circunstância da desgraça em relação a duas pessoas? De que modo se poderá interpretar a questão da circunstância numa pauta de perdas e ganhos? O que é que faz constituir na circunstância essa função tão característica que traça a sorte que nos calha e que constrói toda uma estrutura de oportunidades inferiores aos outros? Tudo se deve à intensidade como aceitamos a nossa circunstância, e as variações que daí resultam fazem a diferença. Também não me convence. Penso que as circunstâncias são as pistas dum crime que não cometemos mas que ainda assim nos acusam da forma como vivemos. Muito bem. O objectivo da circunstância no homem é examinar as suas capacidades de integração no plano da existência e no desenvolvimento bem sucedido das suas opções. Nada mal, não fosse a minha circunstância discípula do desencanto. A circunstância não passa de uma teoria de valores onde somos julgados pelo que não controlamos.

in identidade e conflito (trecho de novo romance a concluir em 2009)

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dezembro 22, 2008

Palavra Ibérica 2009 para Santiago

Santiago Aguaded Landero é o vencedor espanhol do Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009

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dezembro 20, 2008

casimiro de brito na livraria bulhosa

Filme da apresentação do livro 69 Poemas de Amor.

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dezembro 19, 2008

casimiro de brito na biblioteca antónio ramos rosa

O filme do evento Aqui

Publicado por fernando esteves pinto em 11:06 AM | Comentários (0) | TrackBack (0)

dezembro 18, 2008

365 poemas de amor

Apanhado na rede: imagem da capa da antologia organizada por Inês Ramos.

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